quinta-feira, 24 de setembro de 2015

#garimpandooNetflix - Loucamente Apaixonados traz romance realista sem perder a doçura



Cinéfila do jeito que sou, adoro uma boa novidade quando o assunto é cinema e, em razão disso, curto explorar o universo dos filmes não tão popularizados na massa.

O famoso serviço de streaming Netflix é o ambiente ideal para tanto. Dando uma boa olhada no catálogo, é possível encontrar joias raras da produção independente. E vasculhando num final de semana desses, encontrei o delicioso “Loucamente Apaixonados” (Like Crazy), que narra a história da inglesa Anna (Felicity Jones) e do americano Jacob (Anton Yelchin). Os dois se conhecem na faculdade em Los Angeles e, por iniciativa dela (o que já é uma inovação na história), acabam se conhecendo e se apaixonando. O grande obstáculo a ser vencido é a expiração do visto de estudo de Anna, que após o término da faculdade deve retornar à Inglaterra e tentar fazer com que o relacionamento com Jacob dure, mesmo a milhas de distância.

Cheio de cenas românticas, mas sem se tornar clichê ou melodramático, o filme chama a atenção pela rapidez no desenrolar da trama e pela grande quantidade de cortes secos entre as cenas. Por se concentrar quase que unicamente na historia do casal, se fosse recheada de detalhes e preciosismos, eu não estaria aqui fazendo uma resenha tão positiva. Seria chato, enfadonho. O intervalo de tempo é destacado com criatividade pelo diretor Drake Doremus, que utiliza recursos estéticos com criatividade, como a delicada cena do aeroporto, em que a passagem de tempo de seis meses é retratada com a aceleração de movimentos das pessoas no saguão, sendo que a única estática é Anna.

Quem também dá o ar da graça, ainda num papel secundário na trama, é a premiada e hoje queridinha de Hollywood, Jennifer Lawrence. No papel de Sam, ela surge com uma rajada de ar fresco na vida de Jacob, que vive num eterno conflito entre seus sentimentos por Anna e as questões legais que os impedem de construir sua história juntos.

As atuações de Felicity e Yelchin são um atrativo a mais para o filme. As reações e emoções das personagens são tão reais e objetivas que é possível se ver na história deles. Ou ver a história de um amigo, de um familiar. É o princípio da identificação entre espectador e personagem, que com um roteiro tão bem trabalhado só poderia resultar numa história leve, porém marcante e reflexiva. Vale a pena!

*Detalhe para a música coisa mais linda no encerramento do filme, “Dead Hearts”, do Stars.









Por 
Camila Alessio