segunda-feira, 8 de junho de 2015

Asa de Sereia - Luís Henrique Pellanda



Escritores surgem aos montes pelo Brasil afora, mas a alma de escritor, essa poucos têm. Um dos poucos é o Luís Henrique Pellanda. O cronista da Gazeta do Povo tem o olhar de estrangeiro por Curitiba, não aquele olhar cansado, como o nosso, de ver todos os dias as mesmas paisagens e aceitá-las como imutáveis. Mas um olhar que detecta um novo rosto, uma nova árvore ou um novo cinza no céu curitibano, todos os dias.

O livro Asa de Sereia foi publicado em 2013 e indicado ao Prêmio Portugal Telecom. A obra une textos publicados originalmente no site Vida Breve, Revista Top View, jornal Gazeta do Povo, Suplemento Pernambuco, revista Opet&Mercado e revista Mediação.

As páginas são feitas de crônicas de protagonistas da sarjeta, aqueles personagens que só quem  anda pelas ruas do centro de Curitiba pode conhecer. E há momentos em que o autor vira mais um personagem, um telespectador passivo que tudo vê, mas nada faz, vira o próprio enredo e se confunde com a história. Com todo esse conhecimento de causa, digo de cidade, me parece justo chamar o Pellanda de curitibano.

Não sei se todos os protagonistas realmente existem, ou vivem apenas no imaginário daquele que escreve. Mas é provável que fique com a sensação de que já viu alguém assim, em algum lugar da cidade. Ou ainda, fique com vontade, ou seria saudade?, de andar pela Rua XV e encontrar essas figuras exóticas.

Enfim, são bons os motivos para conhecer o Pellanda nos livros, com um tempo reservado para os dois. E não apenas no jornal da correria diária, em que as palavras mal têm tempo de penetrar na mente. E segue um trechinho da crônica Orgulho é Fumaça, para aguçar a sua vontade. Boa leitura!

"Dizem por aí que escritores são bons nisso de observar o mundo e mapear suas falhas, e que teriam olhos na nuca, antenas na alma, três corações de ouro no peito. Tolice: não vemos nada, só o invisível, no máximo algumas lacunas, e a dor que fingimos sentir é a nossa mesmo." (página 59)