quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Indispensáveis - Carlos Drummond de Andrade!



Carlos Drummond de Andrade fez parte da publicação da Fnac "Indispensáveis - Literatura Brasileira", conheça mais sobre a vida e obra do autor abaixo, e saiba mais também, sobre Machado de Assis, Clarice LispectorGraciliano Ramos, Guimarães Rosa e Jorge Amado.

O mineiro de Itabira é um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. Dos modernistas da semana de 1922 herdou a liberdade estilística, os versos livres e a temática cotidiana. Sua preferência por assuntos corriqueiros é presente não apenas em sua obra poética, mas também nas várias crônicas e contos que publicou.

Além disso, soube exprimir como ninguém as angústias de um homem comum do seu tempo, falando sobre o amor, a política e as dúvidas existenciais com o mesmo lirismo trágico, pungente e às vezes clínico que moldou sua obra e existência.

Na vida pessoal, era calmo e calado. Trabalhou muitos anos como funcionário público - período em que escreveu a maior parte dos seus livros - e, após a sua aposentadoria, colaborou em jornais como o Correio da Manhã e Jornal do Brasil, ambos no Rio de Janeiro.

Como tradutor, se dedicou a traduzir incansavelmente vários autores como Proust, Molière e García Lorca, entre outros. Sentimento do mundo, Claro Enigma e Brejo das Almas são seus livros de poesia mais amados e traduzidos pelo mundo; e Cadeira de Balanço, igualmente famoso, contém crônicas irreverentes e agudas que espelham a sociedade dos anos 1960.



Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas