segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Acabou a FLIM!



No último sábado (8) a Festa das Linguagens Medianeira (FLIM) acabou, depois de muitas palestras literárias, apresentações de dança e teatro, show de lançamento do CD Zero do Fred Teixeira e Feira de Livros. Mas, o mais importante é que ela me fez refletir sobre a importância da escola, não só na formação de leitores, mas na formação de cidadãos, e o quanto o ambiente escolar influencia em nossas escolhas futuras.

Lembro que desde muito cedo fui para o lado do Português e deixei de ser uma entusiasta da Matemática, mas hoje percebo o quanto bons e ruins professores me levaram para esse lado. Consigo me recordar de vários nomes de ótimos professores de Língua Portuguesa e só um de Matemática. Talvez por isso, minha formação tenha sido em Comunicação Social, e também, seja a origem do meu entusiasmo pela literatura.




Mas, voltando a falar da FLIM, o que mais me agradou no evento é a proximidade com os escritores, desmistificando a profissão e os aproximando de estudantes, e digamos, "pessoas comuns" da comunidade local. Por, isso separei algumas citações de participantes da festa.

"A primeira regra é: Um escritor sempre é, primeiro, um leitor. Eu não tive o privilégio de ter uma infância com conforto e livros, mas com 13 ou 14 anos percebi que podia seguir a carreira literária, então li religiosamente, mas como sabia que não conseguiria viver apenas de Literatura, me tornei professor." (Paulo Venturelli)

"Crio histórias, como no livro Visita a Baleia, de um menino que vive dentro de mim, ele pode viver aventuras que eu não pude viver e ser o que não pude ser. Um caso interessante desse livro também, é que eu não sei se o enredo realmente aconteceu comigo, se vivi, sonhei ou se me contaram. Mas o que importa é esse mundo novo que é criado pela Literatura." (Paulo Venturelli)

“O Paulo Venturelli já aconselha: ‘Leitura não é hábito, é um exercício’. Pois, as atividades que realizamos por hábito são feitas automaticamente, sem que o indivíduo precise pensar no ato, assim como escovar os dentes. Mas a leitura não é simples assim, ela necessita de treino, e assim como acontece no início de treinos de atividades físicas, o leitor também pode sentir cansaço e fadiga, mas o importante é persistir.” (Eliege Pepler)

“Os alunos já tendem a não gostar da lista de leituras obrigatórias por ser algo que partiu do professor, e também, por conter clássicos da Literatura Brasileira, que não possuem linguagens tão simples. Mas não sou contra esta lista, só acredito que é preciso trabalhar com outros textos em paralelo, para preparar e motivar o aluno.” (Eliege Pepler)

“A Literatura amplia as visões de nós mesmos e do mundo em nossa volta, nos torna mais subjetivos e interpretativos. Enquanto os livros didáticos necessitam de atualização periódica, possuem textos objetivos e impessoais que garantem apenas uma interpretação.” (Ricardo Azevedo)

“Todos deveriam ter acesso à educação integral nas escolas, com um espaço humanizado. Deveria ser dever da escola, oferecer o que muitas famílias não têm condições, desde os princípios básicos da educação, até por exemplo, o banho. Só assim é possível formar cidadãos criativos e subjetivos para se expressar, com pensamento crítico.” (Ricardo Azevedo)

“A Literatura é o melhor meio de transporte, é barato e é um barato, e todos são capazes de viajar por ela. Muitas vezes, os estudantes, e as pessoas em geral, esquecem que os escritores são pessoas reais e normais. Muitas vezes eu chego em escolas para oficinas e palestras e as crianças ficam espantadas quando comento que sou autor, me pedem autógrafo, tiram fotos, é engraçado, mas gratificantes também.” (Alvaro Posselt)

“Muitas pessoas tem insegurança em publicar contos ou tantas outras histórias, o que é normal, mas é preciso ter um estímulo, existem tantos talentos que não são reconhecidos e morrem com seus autores.” (Julio Damásio)

“Eu sou tão viciado em leitura, que quando viajo, mesmo se a viagem for curta, eu levo três ou quatro livros, porque tenho medo de terminar uma leitura e não ter outro livro para começar.” (Luiz Ruffato)

“Eu não faço críticas literárias, pois são mais aprofundadas academicamente e atualmente não há mais espaço na mídia para essa prática, talvez porque não haja mais interesse dos leitores. Eu faço uma resenha literária. E não é fácil escolher a obra, pois a equipe recebe no jornal em média vinte livros por dia.” (Sandro Moser)

“Eu me espantei quando encontrei um livro com Curitiba no título, lembro de ter lido O Vampiro de Curitiba na lombada e ficado feliz em saber que é possível escrever sobre a minha cidade” (Luís Henrique Pellanda)

“Sou formado em arquitetura, mas quando saio pelas ruas, é o lado do urbanismo que se destaca, caminho observando a cidade e utilizo tudo como repertório.” (Fabiano Vianna)




É isso aí, até 2015 FLIM!