quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Contos de Enganar a Morte!



Ricardo Azevedo realizou algumas pesquisas e percebeu que há poucas histórias que tratam sobre o assunto morte. Sendo assim, o autor reuniu quatro das principais narrativas populares sobre a hora de "bater as botas", no seu livro Contos de Enganar a Morte.

Azevedo é também o ilustrador da obra infantojuvenil, e desde 1980 seleciona histórias contadas pelo povo brasileiro. As aventuras descritas no livro chegaram através dos portugueses, mas por serem transmitidas oralmente, esses contos costumam ter várias versões, "quem conta um conto, aumenta um ponto", então Ricardo trabalha para recuperar a essência de cada narrativa. 

Os personagens dos contos, o ferreiro, o médico, o Zé Malandro e o viajante não tinham medo da morte e a enganavam (ou tentavam enganar) a qualquer custo. E a morte? Essa aparece como um personagem comum, sem nada de especial, alguém que precisa cumprir seu trabalho e segue com seus ossos de caveira, sua capa preta e a bengala também feita de ossos, pelo mundo afora levando pessoas para "abotoar o paletó".



Ricardo defende que a morte não deve ser um assunto proibido ou inadequado para crianças, afinal todos nós morreremos um dia. "Porém, é preciso deixar claro, falar sobre a morte com crianças não significa entrar em altas especulações ideológicas, abstratas e metafísicas. Nem em detalhes assustadores e macabros.  Refiro-me a simplesmente colocar o assunto em pauta. Que ela esteja presente através de textos e imagens, simbolicamente, na vida da criança. Que não seja jamais ignorado. Isso nada tem a ver com depressão, morbidez ou falta de esperança. Ao contrário, a morte pode ser vista, e é isso que ela é, como uma referência concreta e fundamental para a construção do significado da vida".

Convenhamos, o autor alcançou seus objetivos, ele realizou uma interessante reflexão, mas sem perder poesia, graça e magia. E o fim do livro traz um conselho que vale a pena ser lido:

"Segundo o ditado popular, não é preciso se preocupar com a morte. Ela é garantida e ninguém vai ser bobo de querer roubá-la da gente.

O importante é cuidar da vida, que é boa, bela, rica, preciosa e inesperada, mas muito frágil. Ela, sim, pode ser roubada".