segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Na História - Os cientistas de Napoleão e suas descobertas no Egito



Era por volta das quatro horas da ensolarada tarde de 1 de julho de 1798, quando as primeiras vozes gritando “Terra!”, partiram das centenas de embarcações no mar mediterrâneo. O brilho do sol nas águas calmas do litoral davam a paisagem um tom amarelado, cor de ouro, bem característico do país ao qual estavam prestes a conhecer. Os homens a bordo correram para as amuradas, alguns portando lunetas ou outras formas rudimentares de instrumentos óticos, na tentativa de vislumbrar o território cuja civilização fascinará tantos outros. O que viram ao longo da costa foi uma imenso mar de areia branca e uma cidade bem no meio do horizonte. Apesar de não ser a visão idílica e faraônica que tantos imaginaram, não havia duvida: finalmente haviam alcançado à costa do Egito.

A obra “Miragem - os cientistas de Napoleão e suas descobertas no Egito” retrata a expedição francesa ao Egito no ano de 1798, em plena Revolução Francesa. A França, mergulhada no caos político e financeiro da revolução, não tinha meios de empreender uma derrota armada à Inglaterra - sua histórica rival. A solução seria ocupar o Egito e atrapalhar o comercio britânico com suas colônias orientais. Para isso foram reunidos 34 mil soldados, 16 mil marinheiros e cento e cinqüenta artistas e cientistas parisienses que deveriam explorar e catalogar as riquezas do Egito. Matemáticos, botânicos, zoólogos, químicos, naturalistas, médicos, astrônomos, engenheiros, físicos e pintores iriam compor esse inusitado grupo de cientistas, acostumados a trabalhar na solidão de seus laboratórios e que na maioria dos casos nunca haviam utilizado uma arma de fogo na vida.

A jornalista Nina Burleigh criou uma obra magnífica que mistura ciência e historia, adornada por uma narrativa rápida, clara e agradável.  Durante a leitura vemos a difícil travessia do deserto do Saara, tempestades de areia impressionantes, a celebre Batalha das Pirâmides, a lendária Batalha do Nilo, a conturbada vida na cidade do Cairo, a descoberta da Esfinge de Gize – completamente coberta de areia quando os franceses a encontraram, a descoberta de múmias nas tumbas do Vale dos Reis, a jornada em meio à antigas fortalezas dos Cavaleiros Templários, a luta pela procura de água, a sangrenta Batalha de Jafa, os assassinatos em massa cometidos por Napoleão nas praias da península do Sinai, a descoberta da Pedra de Roseta – encontrada por soldados franceses enquanto escavavam próximos a uma muralha e cuja tradução seria fundamental para a compreensão dos hieróglifos, o cerco a cidade de Acre, a Peste que devastou o exercito francês e a fuga vergonhosa de Napoleão abandonando seus soldados a própria sorte.

A ironia final e que a maioria das descobertas acabaria mais tarde em um museu britânico. A obra de Nina Burleigh é um trabalho fascinante que aborda a conturbada relação entre o ocidente e o oriente, entre os progressos científicos das nações civilizadas e as belezas do mundo árabe.





TÍTULO:  MIRAGEM - OS CIENTISTAS DE NAPOLEAO E SUAS DESCOBERTAS NO EGITO 

Autora: Nina Burleigh

Editora: Landscape

Nº de páginas: 312 












Por
Tiago Rodrigues