segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

"O Lado Bom da Vida" um romance de Matthew Quick



Desde que Jennifer Lawrence ganhou o Oscar de melhor atriz, pela personagem Tiffany no filme “O Lado Bom da Vida”, eu me interessei pelo romance de Matthew Quick, mas só agora me rendi à leitura. Durante as 254 páginas da obra, conheci Pat Peoples, um homem que acredita que sua vida é um filme e aguarda o seu final feliz. “Acredito em finais felizes – digo para ele. – E acho que esse filme já durou o bastante”.

A história começa com Pat no “lugar ruim”, um hospital psiquiátrico em Baltimore, tentando recuperar sua saúde mental. Durante toda a sua estadia seu único objetivo é terminar com o “tempo separados” e reencontrar Nikki, sua ex-mulher. Para isso, ele tenta “praticar ser gentil em vez de ter razão”, faz séries intermináveis de exercícios, pois quando estava casado tinha engordado, e se apresenta como um homem esperançoso, que acredita no lado bom da vida. Seu único ponto fraco é a melodia “Songbird” do cantor Kenny G, por motivos que o próprio enredo explica, ao decorrer da trama.

A vida do protagonista começa a mudar quando sai do hospital e descobre que não se passaram apenas alguns meses como acredita, e sim cerca de quatro anos. Seu amigos já reconstruíram suas vidas, se casaram, muitos deles já tem filhos, o estádio que costumava assistir as partidas de seu time de futebol americano, os Eagles, já não existe mais, e a convivência com seu pai se torna conturbada. Pat conhece seu novo terapeuta o Dr. Cliff, e juntos eles constroem uma ótima relação, mas é Tiffany quem consegue mudá-lo.



Assim como Pat, Tiffany está trabalhando para recuperar sua saúde mental, que foi abalada depois que seu marido morreu em um acidente. E graças ao seu jeito todo maluco e conturbado, Pat consegue encarar sua realidade. “... sei que nos filmes quando o personagem principal está prestes a desistir, algo surpreendente acontece, o que leva ao final feliz”.

Um romance genuíno e inocente, assim como seu protagonista, e talvez por isso seja tão apaixonante. Agora na minha lista de leitura está “Perdão, Leonard Peacock”, do mesmo autor, e se for tão bom quanto “O Lado Bom da Vida” Matthew Quick será um dos meus autores prediletos, ao lado de Machado de Assis e um grupinho seleto.


“Em meus braços está uma mulher que me deu uma Tabela de Nuvens do Observador do Céu, uma mulher que sabe todos os meus segredos, uma mulher que sabe quão problemática é a minha mente, quantos comprimidos eu tomo, e que ainda assim permite que eu a abrace. Há algo de honesto em tudo isso, e eu não consigo imaginar nenhuma outra mulher deitada comigo no meio de um campo de futebol congelado, no meio de uma tempestade de neve, até impossivelmente esperando uma nuvem soltar-se de um nimbo-estrato”.