sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Na História - Pureza Fatal

Poucos ousariam prever que o menino pálido, frágil e retraído, que preferia às leituras solitárias as brincadeiras com os amigos, se tornaria um dos mais influentes personagens da historia de seu país, ao lado de nomes como o de Napoleão e Joana D’arck.

Em sua obra de estreia, Ruth Scurr compôs um magnífico retrato daquele que muitas vezes foi considerado o pai do totalitarismo e das modernas formas de estado policial. A obra é dividida em quatro partes que abrangem tanto o homem político como o homem comum. Na primeira vemos uma narrativa focada em seus anos de formação, desde o seu nascimento no dia 6 de maio de 1758, na pequena cidade de Arras, a separação dos irmãos, seus estudos no Louis Le Grand, a formação em Direito e sua pacata vida como advogado provinciano, que gostava de escrever poemas melosos nas horas vagas, um admirador fervoroso das obras de Rousseau.

Em 1789, o rei Luís XVI, assolado pela terrível crise financeira, convocou os Estados Gerais – o maior órgão deliberativo da França. Robespierre, que havia alcançado o cargo de juiz episcopal de Arras, é eleito como representante do terceiro estado. Em Paris ele inicia seus primeiro passos rumo à política e acaba mergulhando no turbilhão irrefreável da Revolução Francesa. Da segunda parte em diante a narrativa se concentra nesse conturbado período de sua vida. Em um texto veloz, bem típico das modernas biografias, vemos o memorável juramento do Jeu de Paume, a queda da Bastilha, a criação do clube dos Jacobinos, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, as cenas de violência revolucionaria nas ruas da suja e miserável Paris, a queda da monarquia e a criação da primeira República francesa, a celebre Batalha de Valmy, as execuções de Luís XVI e Maria Antonieta, o confronto com os girondinos e com os Dantonistas, seu ingresso no Comitê de Salvação Publica, o inicio do chamado período do Terror, a decretação da infame “Lei de 22 Prairial” e sua morte trágica na guilhotina aos 36 anos de idade.

“Pureza Fatal” nos apresenta ao homem que apesar de seus 1,60 m de altura ficaria conhecido como um dos gigantes da esquerda política, comprovando a máxima de Napoleão que dizia que “o tamanho de um homem era determinado por seu destino não por sua natureza”. Que apesar da voz frágil seria um dos maiores oradores da Revolução e cuja retórica afiada seria sua principal ferramenta política.

Em 26 de junho de 1794 (8 Termidor - segundo o calendário revolucionário) quando subiu a tribuna para pronunciar o último discurso que faria na vida, o “Incorruptível” – como também era chamado - destilou seu ódio contra todos aqueles considerados “inimigos do povo”. No dia seguinte, com a mandíbula estraçalhada por um tiro de mosquete, não se sabe se por uma frustrada tentativa de suicídio ou se por um disparo acidental, ele galgou os íngremes degraus do cadafalso rumo à justiça da “navalha nacional”. Naquele momento deve ter se lembrado de suas próprias palavras proferidas no dia anterior: “A morte não é o sono eterno, mas o inicio da imortalidade.”





Por 
Tiago Rodrigues