quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Sebastião Salgado se rende à fotografia digital

Foto: Jairo Goldflus


O fotógrafo brasileiro, Sebastião Salgado, se rendeu à fotografia digital. Mas, não foi uma escolha pensada, foi na marra, durante o seu projeto "Gênesis". "Cheguei a carregar até 600 filmes numa mala que pesava 28 quilos", disse ele na última terça-feira (3), em sabatina promovida pela Folha. E completou: "Já passei por raio-X de sete aeroportos diferentes em um dia e a ação disso nos filmes era horrível, perdia-se muita qualidade. Hoje carrego 800 gramas de cartões de memória digital, que equivalem aos 600 filmes".

Mas, não precisa se preocupar, a predileção pelas fotos em preto e branco continuam, aliás ela dominou seu trabalho a partir de 1987, quando lançou as últimas imagens coloridas, durante a comemoração dos 70 anos da revolução soviética.

"No momento em que eu presto mais atenção ou me preocupo com a cor, como na camiseta vermelha de uma garota, posso ter perdido o mais importante, a sua expressão", justificou e em seguida revelou que suas fotos são feitas em cor e depois no processo de revelação se tornam preto e branco.

As imagens do "Gênesis" foram produzidas ao longo de oito anos em recantos intocados do planeta, e o resultado será exposto a partir de hoje em São Paulo, no Sesc Belenzinho.

Salgado denomina este projeto como "fim de ciclo de uma vida inteira", mas não o da carreira, para nossa sorte. "Ainda quero fazer algo com os índios brasileiros, que já fotografei muito, mas há um imenso contingente pouco conhecido e isso é fascinante", encerrou se definindo como um contador de histórias.

Fonte de informação: Folha de S. Paulo