sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Era uma vez... Sen ti (dó)



E, lentamente, ela quebrou a distância que existia entre nós duas e envolveu-me em seus braços fortes. Abraçando-me pela cintura, pude ouvir seu coração disparar contra meu próprio coração disparado, sentindo em minhas pernas a vontade de deslizar ao chão; sumir para que somente sobrasse eu, para que somente sobrasse ela. Suas curvas deslizando sobre meu corpo magro, seus olhos esverdeados fitando-me, fotografando para jamais esquecer cada pedacinho de meu rosto; meu nariz quadrado, meus lábios rosados, minhas sardas alaranjadas e meus olhos apaixonados.

Tocou-me suavemente a testa, deslizando a ponta dos dedos por minhas bochechas que iam ficando quentes a cada lugarzinho em que encostava. Finalizou o percurso que fazia pousando o dedo indicar sobre meus lábios entreabertos, será que podia sentir minha respiração falha e pesada? 

Ainda olhando-me os olhos, deslizou lentamente seus lábios em direção aos meus. Permaneci por todo o trajeto observando-a, observando cada milímetro que seu rosto aproximava-se do meu, que seus lábios aproximavam-se dos meus, até finalmente senti-los sobre mim. Beijamo-nos como se fosse a primeira vez. Busquei naquela boca explorar novamente cada pedacinho, cada gosto e cheiro que dela emanava. Menta. Lembro-me todos os dias. 

Enquanto beijava-me, segurava-me mais forte, unindo mais ainda nossos corpos; talvez tivesse medo que eu fugisse, afinal, melhor que ninguém sabia o quanto era novo para mim. Mas, mal sabia o quanto eu não queria fugir, o quanto eu desejava ficar ali em seus braços, sentindo o gosto de seus lábios, o cheiro de seu hálito fresco, o toque de seus dedos. 

Pude sentir um arrepio percorrer todo meu corpo, o mesmo arrepio que percorre-me a estrutura até hoje. Sua intensidade sempre surpreendia-me, servindo meu corpo com um estupor magnífico, sensação essa que nem saberia melhor descrever. Somente sentir, como o faço até hoje. E depois de minutos, ou até mesmo horas, desgrudou-me dos lábios e novamente apertou-me a seu corpo, erguendo-me alguns centímetros do chão.

Sorrindo e sendo correspondida, beijou rapidinho meu nariz e colocou-me sobre o banco mais próximo. Murmurou um “até amanhã” e dando-me uma última piscadela, partiu em direção ao serviço, não se esquecendo de dar uma última olhada para mim, que ainda sentada, encarava-a as costas com o sorriso mais bobo do mundo. 




Conto 
por Mellissa Fernanda