quinta-feira, 4 de julho de 2013

Romance e história em "A Chave de Sarah"



Romances com indícios de história sempre me atraíram, e o livro de Tatiana de Rosnay, A Chave de Sarah desempenha esse lado lindamente. Trazendo como tema a Segunda Guerra Mundial, a autora aborda um assunto que é pouco comentado. “- A grande concentração no Velódromo d’Hiver. Vel’d’Hiv é a forma abreviada desse nome. Um famoso estádio fechado onde eram realizadas corridas de bicicleta. Milhares de famílias judias, trancadas lá durante dias, em condições aterrorizantes. Depois, enviadas para Auschwitz. E colocadas nas câmaras de gás”. O que torna o evento ainda mais vergonhoso é o fato de ter sido executado, não por alemães, mas pela Polícia Francesa.

Tudo começa quando a jornalista americana, Julia Jarmond, que atualmente mora em Paris, recebe como pauta para seu artigo o 60° aniversário Vel’ d’Hiv. Julia não conhecia muito sobre  o evento. Então durante sua pesquisa, descobre que a história está mais perto do que imagina. O apartamento que era de Mamé (avó de seu marido) e estava sendo reformado para ser seu, há 60 anos atrás, era residido pela família Starzynski: Wladyslaw, Rywka, Michel e Sarah. 



Paralelamente conhecemos a história de Sarah Starzynski, uma pequena judia que foi presa durante a batida, acompanhada de seus pais. Durante o evento a menina sente pena de seu irmão Michel e o deixa trancado no armário com seu urso, a intenção é voltar logo para soltá-lo, por essa razão a menina carrega sempre a chave, dando nome ao livro. “A menina podia ver o rostinho do irmão espreitando-a através da escuridão. Ele estava agarrado ao seu ursinho favorito e não tinha mais medo. Talvez ficasse a salvo lá, no fim das contas. Tinha água e lanterna”.

Além da perturbação dos novos fatos, Julia enfrenta um casamento que está acabando, a morte da avó de seu marido, a gravidez e um possível aborto, e ainda a mudança de ares. 

A nota da autora resume o objetivo da obra. "Esta não é uma obra histórica e não tem a intenção de sê-lo. Esta é minha homenagem às crianças de Vel' d'Hiv. Às crianças que nunca mais voltaram. E àquelas que sobreviveram para contar".

E pensando nos leitores, é utilizado diferentes fontes, para não tornar confusa as duas histórias que são contadas simultaneamente. Mais tarde a história foi adaptada para as telonas, acompanhe o vídeo abaixo, e dos detalhes do livro.



A chave de Sarah

Autora: Tatiana de Rosnay

Editora: Ponto de Leitura

Lançamento: 2010

Nº de páginas: 399