segunda-feira, 27 de maio de 2013

CONTA MAIS!


Desta vez quem conta mais é o fotógrafo e documentarista, Vinicius Ferreira, 25 anos. Ele é formado  em Jornalismo pela universidade Positivo e documentário pela EICTV (Escuela Internacional de Cine y Televisión) em San Antonio de los Baños - Cuba.

Mesmo formado em Jornalismo e apaixonado por fotografia, Vinicius nunca trabalhou como fotojornalista, mas esse é um dos seus grande  sonhos. Acompanhe o nosso bate-papo, junto com belas fotografias!



Quando começou seu interesse pela fotografia?
Não sei bem ao certo. Estava naquela fase da vida quando se escolhe o que fazer para viver. E queria algo que me possibilitasse interativa com pessoas e me mostrasse coisas novas. E a fotografia me pareceu a melhor opção, assim como o vídeo. 

Você também tem uma produtora a ETNO Filmes, seu conhecimento em fotografia te auxilia nessa parte de vídeos também?
Sem dúvidas. Ainda mais quando o mercado apresentou as câmeras HDSLR. O que resultou num trabalho com ótima qualidade de imagem e também com custo menor. O que torna o mercado mais competitivo.   



Como foi a adaptação de um gaúcho em Curitiba?
Sem muitos problemas. Logo fiz um ciclo de amizade que entende a forma expansiva de se ser. O que ainda persiste são as piadinhas homofóbicas, que me irrita muito, mas hoje ignoro. 

Em seu facebook, é possível ver fotos, principalmente retratos tirados em outros países,  como é retratar pessoas de lugares diferentes, com culturas diferentes?
Acho que o mais importante para qualquer pessoas, independente da profissão, é questionar os seus valores culturais e a forma de vida. E o que busco neste projetos é justamente isso. Para se tirar uma fotografia que tenha essência é preciso mais do que nunca imersão no ambiente que se quer fotografar, entender os gestos culturais de cada povo. E este processo me agrada mais que a fotografia em si. E todos os lugares mais difíceis que fotografei foi a Tunísia, nos primeiros 10 dias não fiz um foto decente, foi ai que percebi que deveria me doar mais na quebra de paradigmas.          



Qual é sua referência e inspiração na fotografia?
Nunca me esqueço de uma exposição do pintor equatoriano Oswaldo Guayasamín, que vi no MON em 2012. Ele imprimi tão bem os sentimentos humanos em telas gigantes, com cores e traços fortes. Sim, ele não é fotógrafo mas é isso que busco nas minha fotos como fonte de inspiração. E como referência na fotografia tenho André Liohn, Sebastião Salgado, Guy Veloso, Robert Capa, Paolo Pellegrin, Josef Koudelka e muitos mais.   

O que você tem de estranho ao seu modo? 
A minha vida não começa sem antes tomar um chimarrão pela manhã.

Se você soubesse que é a sua última refeição, o que comeria e beberia? Quem te acompanharia? E o que ouvira?
Acho que seria um shawarma de carneiro com vinho tinto, acompanhado da minha namorada. Agora a música não tem como saber, são tantas.  

Qual foi sua melhor viagem, por quê? E qual lugar gostaria de conhecer?
Foi um mochilão pelo Uruguay, Argentina e Rio Grande do Sul. Eu e minha namorada percorremos mais de 4000km de carona por quase dois meses, se tínhamos R$1000,00 era muito. As situações de vulnerabilidade lhe propõe conhecer melhor o lugar. E o lugar que gostaria de conhecer é Toda a América Latina.       

Se você tivesse o poder de mudar uma coisa no mundo, o que mudaria?
A forma de troca monetária.  

Você tem uma tatuagem no braço que é um mapa invertido, qual é o significado?
É um desenho do pintor uruguaio Torres Garcia. Ele pintou isso quando decidiu voltar de Paris e fazer uma arte voltada a América Latina, o que ele chamava de universalismo construtivo. Que significa olhar para o resto do mundo pelo o seu ponto de vista. E criou um lema, Nosso Norte é o Sul. Por isso da América do Sul estar de ponta cabeça.   



Qual foi sua primeira câmera, e qual é a sua companheira nos dias atuais?
Foi uma Pentax K1000, quando eu tinha uns 16 anos. Mas não pensava em ser fotógrafo na época. Hoje tenho uma Canon 7D.


O que não pode faltar e sua bolsa de equipamentos?
Câmera, objetivas, água e bloco de anotações. 

Qual é sua foto predileta, por quê? 
Acho difícil eleger alguma de outro fotógrafo. Tenho esta do vendedor de frutas em Havana. Acho que fiquei mais de uma hora conversando com ele sobre como é viver em Cuba. E só depois que bati a foto percebi o pote da Nestlé bem no centro da foto, como um intruso. Era bem disso que conversávamos.    



E se não fosse fotógrafo, qual seria sua profissão?
Lateral direito do Grêmio Futebol Porto Alegrense. hehehe 

Indique um livro e um filme para os leitores do blog.
Pode ser dois de cada. Filmes: Elena e O Pesadelo de Darwin. Livros: Magnum Revolucion e Ligeiramente Fora de Foco.