segunda-feira, 4 de março de 2013

A noite em claro de Martha Medeiros



"Estava tudo silencioso e de repente o céu desabou. Na televisão disseram que esta chuva vai durar uma eternidade. Eu pensei em ler um livro, mas tive uma ideia melhor: vou escrever um livro. E só vou terminá-lo quando a chuva parar". Essa é a ideia de Martha Medeiros em seu livro Noite em Claro. Acompanhada pelo champanhe, em 12 de junho, dia dos namorados, uma mulher revive todas as suas angústias, amores e prazeres.

Ela nos conta sobre um psicótico que manda emails, e depois, sobre o encontro deles. A jornalista comanda um programa em um canal de tevê a cabo, e se orgulha do que faz. "E dizem que sou inteligente, e a burrice do mundo é tanta que deixo a modéstia de lado e concordo".





E enquanto isso a chuva continua, às vezes forte em outras horas nem tanto. Ficamos sabendo sobre seu ex-marido. "Ele era lindo, um pouco mais velho que a turma, não tinha o riso solto, estava com um copo de uísque nas mãos e sentado numa cadeira de rodas".

E é fácil de perceber o estilo inconfundível de Martha Medeiros, uma forma leve e despudorada para falar sobre amor, e sobre sexo também. Assim chega ao fim do romance "A garrafa está seca. Um fim de chuva muito rápido. Silêncio. Os poucos pingos que despencam isolados não caem mais do céu, e sim da calha, os últimos. Três. Dois. Um".

Leitura fácil, rápida e prazerosa. Afinal quem nunca passou uma noite em claro, pensando na vida e no mundo?