domingo, 25 de novembro de 2012

Os Espiões, um romance despretensioso de Verissimo



Um romance diferente do tão importante escritor brasileiro, Luis Fernando Veríssimo, Os Espiões chegou às livrarias no final de 2009, e é fruto da própria vontade de seu autor, sem ser encomendado pela editora. Com humor e tragédia, principalmente em seu final, que surpreende e choca os leitores, é presente a vontade que todos nós temos, mesmo inconscientemente, de viver um romance, como se a literatura fosse mais interessante que a vida. E essa constatação da obra pode se tornar até mais importante e interessante que o enredo em si.



A história de um homem frustrado que se formou em Letras, mas não foi bem sucedido na vida. Trabalha em uma editora, em que seu ex-colega de escola, Marcito, é dono, a editora ficou conhecida pela publicação do livro Astrologia e Amor – Um Guia Sideral para Namorados. E mesmo que a qualidade da obra seja duvidosa, depois de sua publicação muitos originais chegam para o nosso personagem examinar, e esse exame é feito de forma diferente dependendo do dia. Se for em plena segunda-feira ele sem dúvida estará de ressaca e não lerá nada, mas se for na sexta-feira talvez o novo autor leve alguma sorte pelo bom humor do funcionário.

E tudo caminhava imutavelmente, não era feliz no seu casamento, não se dava bem com sua mulher e seu filho, só vivia para esperar o final de semana e passar de sexta à domingo em estado de torpor junto com seus amigos inseparáveis no Bar do Espanhol, que nem espanhol era. Isso tudo até chegar as folhas com a história de Ariadne (com uma florzinha no pingo da letra i), e apesar das faltas de vírgulas e dos erros de português, o personagem descobre a história de uma mulher linda e infeliz, que está esperando escrever o final da história para depois cometer suicídio.

Então o funcionário fica impressionado, e sente que precisa ajuda-la de alguma maneira, e descobre uma semelhança da história com a mitologia. “Apaixonada por Teseu, a quem dera um novelo de linha para o amante, na entrada do labirinto depois de matar o Minotauro. Ariadne ficara segurando a ponta da linha para o amante, na entrada do labirinto. Agora havia uma Ariadne, fictícia ou não, na ponta de uma linha num lugar chamado Frondosa. A outra ponta da linha estava ali na minha frente. Um fiapo de linha”.

Começa a Operação Teseu, em homenagem ao primeiro encantado por Ariadne. O envolvimento é geral, aquela mulher parece encantar todos os homens. Então todos os seus companheiros de bar decidem ir atrás de Ariadne. Assim, inicia a espionagem ironizada por Verissimo.

E se você pudesse viver um romance, qual seria?