quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O Japão na literatura brasileira




Campeão do 54º Prêmio Jabuti e também da primeira edição do Prêmio Benvirá de Literatura, o romance Nihonjin do paranaense Oscar Nakasato, nos traz um tema pouco abordado pela literatura brasileira: a imigração japonesa. Juntamente com imigrantes italianos e alemães, os japoneses trouxeram suas famílias para trabalhar nos cafezais brasileiros, no comando de Getúlio Vargas.

Com diferenças culturais alarmantes, em que a mulher deveria ser submissa ao marido, até mesmo durante a refeição, sendo a última a se servir da comida que ela mesma preparou. O livro aborda as dúvidas daqueles que deixaram seu país, com promessas de riqueza e acabaram nunca mais retornando as suas origens, seja por falecimento ou por falta de dinheiro.

O personagem principal é Hideo Inabata, um japonês forte que tem orgulho de sua nacionalidade, e por essa razão, mesmo em outro solo, mantém suas tradições. Sua primeira mulher, Kimie morreu no cafezal. E então ele se casa novamente, com Shizue, eles têm cinco filhos: Hitoshi, Haruo, Sumie, Hiroshi e Emi. Haruo é o que mais dá trabalho ao pai, pois como aprendeu na escola, ele não é japonês como o pai dizia, e sim brasileiro, pois nascera no Brasil, e se sente como um brasileiro, para o desgosto do pai.

A história é narrada pelo neto de Hideo, o filho de Sumie. O livro mostra como os japoneses eram orgulhosos para assumir a derrota na Segunda Guerra Mundial, e como acreditavam que o Imperador era sagrado, comparado a uma divindade. E por essas razões chegavam a matar aqueles japoneses que pensavam diferente, ou que abandonavam as tradições. Como aconteceu com Haruo, que foi assassinado, sem seu pai conseguir evitar a morte.

O título significa Japonês, apropriado a narrativa, porém, talvez o autor tenha carregado um pouco o seu romance com palavras japonesas, o que dificulta a leitura para leigos da língua estrangeira.


Prêmio Jabuti



Criou-se uma polêmica em torno da vitória do livro Nihonjin no prêmio Jabuti, pois um dos jurados teria manipulado os resultados da categoria romance, dando nota 10 ao livro de Oscar Nkasato, e notas mínimas para os seus concorrentes.

Segundo o curador do Prêmio, José Luiz Goldfarb, as regras do concurdo podem ser alteradas para o próximo ano. “Ao final de cada premiação, o conselho curador se reúne para discutir e aprimorar a edição seguinte. O prêmio tem 54 anos e está revelando autores. É uma ótima oportunidade para ler o livro (Nihonjin).”