terça-feira, 2 de outubro de 2012

CONTA MAIS!


  


Hoje quem conta mais é fotógrafa, artista plástica e professora, Milena Costa de Souza. Também curadora da galeria Ponto de Fuga, localizada no Fidel Bar. Adora viajar e junto com seu marido, Pedro Vieira, vai realizar sua segunda expedição fotográfica, intitulada como “Fronteiras da Latinidade”. Eles vão passar por sete países do sul da Europa e do norte da África. Com o intuito de registrar as manifestações culturais e artísticas.

Mestre em sociologia, especialista em história da arte e graduada em artes visuais. Milena é extremamente simpática e inteligente. Ficou curioso para saber mais? Então dá uma olhada no nosso bate-papo, ilustrado por belas fotografias!

Como começou seu interesse por fotografia?

Meu interesse pela fotografia começou na faculdade de artes quando percebi que a imagem fotográfica poderia ser um meio de trabalhar questões estéticas e não se reduzia apenas ao processo técnico. Era a época dos laboratórios e experimentei muito ampliando as imagens que eu realizava. Isso fui muito bacana, pois além de encarar a fotografia como técnica, percebi o seu lado experimental e criativo. 

Como é dar aulas para futuros jornalistas e publicitários?
É muito bom, pois os alunos de comunicação são interessados em novas informações e isso facilita o meu papel como professora. 



Conte um pouco sobre a expedição “Fronteiras da Latinidade”.
A expedição “Fronteiras da Latinidade” é um projeto fotográfico meu e do Pedro Vieira. Iremos percorrer o sul da Europa e o norte da África durante 60 dias e visitaremos os seguintes países: Portugal, Espanha, França, Itália, Marrocos, Argélia e Tunísia. A viagem começará em dezembro deste ano. Nosso objetivo é realizar uma pesquisa documental, a qual será registrada em fotografia, textos e vídeos. Nosso interesse é registrar as manifestações culturais e artísticas dessa região de “fronteira marítima”, assim como o imaginário revolucionário local.

Fronteiras da Latinidade não é nosso primeiro projeto de expedição fotográfica que aborda o tema da latinidade. Entre 2006 e 2007 realizamos uma viagem de carro dos Estados Unidos até o Brasil, a qual durou mais de seis meses. A expedição foi intitulada “Da América para as Américas”.  Buscamos capturar por meio das lentes de nossas câmeras e das conversas com a população local, a cultura da América Latina, as formas que a população encontra para sobreviver em meio às desigualdades e como conduzem suas lutas sociais. A viagem transformou as nossas vidas e as nossas experiências foram compartilhadas por meio de exposições fotográficas em Museus, bibliotecas, reportagens em jornais e palestras. 

“Fronteiras da Latinidade” surge do questionamento já existente na expedição “Da América para as Américas”, sobre a identidade Latina e neste momento pretendemos analisar este aspecto tendo como ponto de partida o “Velho Continente”, suas relações e intercâmbios culturais com os povos que hoje integram suas antigas colônias ao norte da África. 



Como funciona o financiamento pelo Catarse? Como as pessoas podem fazer doações?
O Catarse é uma plataforma colaborativa, conhecida como crowdfunding, na qual as pessoas podem realizar contribuições financeiras para o projeto e em troca recebem “recompensas,” ou seja, produtos resultantes da expedição, como fotografias e livros. Para fazer a contribuição é necessário entrar no site do catarse, escolher uma cota de contribuição e realizar o pagamento, o qual pode ser feito de diferente maneiras (cartão de crédito, boleto bancário e débito em conta). É importante lembrar que precisamos levantar todo o valor necessário, pois caso não seja levantado o valor total, todo o dinheiro retorna para os contribuintes. 

Nas suas atividades é fácil perceber um gosto pelas manifestações culturais, do mundo afora, da onde surgiu essa curiosidade? O Fidel Bar é um exemplo desse gosto?
Desde criança tive interesse por diferentes culturas, queria fazer intercâmbio e conhecer novas realidades. Assim, na primeira oportunidade que tive, aos 15 anos de idade, sai do Brasil e fiquei um ano nos Estados Unidos. Acho que esse interesse surgiu quando percebi que as realidades são múltiplas, que a vida não é uma só e que a troca de experiências é extremamente rica. O Fidel bar surgiu da nossa última expedição fotográfica, quando percebemos o espaço central que o imaginário revolucionário ocupa nas vidas dos povos latinos. 

Foto Milena Costa


O que você tem de estranho ao seu modo? 
Que pergunta difícil! Acho que sou tão estranha, não sei por onde começar. Vamos combinar, todo mundo é estranho. Cada um na sua maneira. Como fica difícil apontar algo específico, só posso afirmar que ninguém é normal e isso eu já aprendi faz um tempo e aceitei todas as minhas “bizarrices”. Como elas foram aceitas, já se tornaram parte de quem eu sou e não consigo destaca-las. 

Foto Milena Costa - New York

Viajar sempre fez parte da sua vida? Qual foi sua melhor viagem? E qual lugar gostaria de conhecer?
Sim, viajar sempre fez parte da minha vida. Sempre que apareceu uma oportunidade eu a abracei e fui até o fim. Um dos países que mais gostei de conhecer foi o México e o próximo lugar que estou ansiosa para visitar é o Marrocos.

Se pudesse nascer em outra época, qual seria?
Gostaria de ter vinte e poucos anos durante a década de 20 em Paris.

Se soubesse que é sua última refeição, o que comeria? Quem te faria companhia? O que ouviria?
Comeria frango ao curry e depois deitaria no sofá, no colo do meu marido, assistiria um filme e.... fim!

Pedro Vieira - Havana

Qual é uma das suas fotografias prediletas? Por quê? 
São muitas. Uma boa fotografia sempre carrega consigo uma excelente história. Gosto de fotógrafos que nos passam essas experiências e não apenas uma imagem. Alguns exemplos são Cartier- Bresson, Robert Capa e Flávio Damm. 

Qual é a sua referência na fotografia e na vida?
Não tenho uma referência, mas sim diversas. Nunca li um livro, por exemplo, e pensei que o pensamento de determinado autor pudesse me guiar pela vida. Sou uma pessoa muito crítica e é difícil alguém me convencer facilmente. Na fotografia posso citar os fotógrafos mencionados anteriormente e adicionar um punhado de artistas plásticos/as (que também são fotógrafos) como a Cindy Sherman, Barbara Kruger e Andy Warhol. Na vida tem toda essa galera e o pensamento de escritores/as feministas, estudos pós-coloniais... Amo escritoras como a Jane Austin e Virginia Wolff. Um escritor que me marcou muito foi o Arthur Miller. 

Indique um filme e um livro para os leitores do blog.
Vamos lá! For Fake do Orson Wells e The Crucible do Arthur Miller.  


Pedro Vieira - Titicaca