sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A Crítica Literária no Brasil



A 31ª edição da Semana Literária, contou na última quarta-feira (12) com o seminário: Panorama da Crítica Literária no Brasil. Mediados pelo jornalista Yuri Al’Hanati, os professores, críticos literários e escritores, Alcir Pécora e João Cezar de Castro Rocha, discutiram sobre a produção da crítica em dois ambientes: na academia (as universidades) e na imprensa.

O evento começou com a leitura de trechos, escolhidos pelos convidados, da obra de Dalton Trevissan, escritor homenageado no evento. Alcir inicia explicando que há dois tipos de crítica. A mais comum é aquela, que após realizar a leitura, o crítico conta sobre a sua experiência, seu sentimento. “Não é errado, a leitura realmente propicia experiência. Mas a crítica se torna apenas um relato, se torna banal. E o público acaba gostando ou não de um crítico apenas por ter opiniões semelhantes”. A segunda maneira e, a melhor delas para o professor, é aquela que vai além da descrição, da experiência e se preocupa mais com o projeto do livro e, suas reais intenções.

O impasse entre a crítica de academia e a de rodapé, como é chamada a crítica realizada pela imprensa, é que a primeira é acusada de ser intransponível ao leitor comum é a segunda de ser frívola. O escritor João Cezar acredita que a saída para esse problema é o equilíbrio entre essas duas práticas. O escritor comenta também sobre o Politicamente Correto, dentro da literatura. Exemplifica citando o caso da obra de Monteiro Lobato, As Caçadas de Pedrinho, que foi acusada de obter elementos racistas. “Se for assim, boa parte da literatura brasileira poderá ser interditada. Como a obra machadiana, Dom Casmurro, que pode ser considerada uma narrativamente machista. Literatura não é questão de moral e cívica, ela é o lugar justamente de esquecer a moral e a cívica”.

Pécora completa seu discurso, dizendo que é preciso um distanciamento do objeto pra realizar a crítica, caso contrário ela vira bajulação. Comenta também que é necessárioum vasto conhecimento para analisar um livro. “Uma obra só existe no confronto com outros objetos culturais. Se um crítico estudou, por exemplo, James Joyce na graduação em Letras, continuou estudando o autor irlandês no Mestrado e, mais tarde, no Doutorado, não conhece nada nem da literatura nem do autor, porque o objeto de estudo ficou isolado”, conclui.


O “Racismo” de Monteiro Lobato

Publicado em 1933, a obra relata uma aventura da turma do Sítio do Picapau Amarelo, em busca de uma onça-pintada. O livro era adotado em diversas escolas públicas.

A discussão sobre o assunto começou após o servidor, Antônio Gomes da Costa Neto, da Secretaria do Estado de Educação do Distrito Federal, realizar, há dois anos, uma denúncia contra o uso do livro à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Na noite da última terça-feira (11), depois de três horas reunidos no Supremo Tribunal Federal (STF), representantes do governo federal não conseguiram fechar acordo com os autores da ação, insatisfeitos com o uso do livro nas escolas públicas brasileiras. Irá acontecer um novo encontro no dia 25 para as partes entrarem em acordo.


Feira Literária

Começou na última segunda-feira (10), a 31ª edição da feira literária & Feira do Livro Sesc, na Praça Santos Andrade, no centro da cidade de Curitiba. Até o dia 15, o público poderá participar de mesas-redondas, seminários, cafés literários, sessões de contação de histórias, lançamentos de livros, autógrafos e uma grande feira de livros.

A Feira Literária homenageará o escritor Dalton Trevissan, que esse ano recebeu os prêmios Camões e Machado de Assis. Segundo um dos coordenadores do evento, Marcio Norberto, o autor homenageado já foi escolhido desde dezembro. “Nós já homenageamos vários autores, entre eles, Clarice Lispector e Machado de Assis. Mas queríamos realizar uma homenagem a um escritor ainda em vida. Sem mencionar a importância da vida e da obra desse autor paranaense”.

Norberto explica que como o evento é realizado em local público, a cultura se torna mais democratizada e, mais pessoas podem ter acesso a ela.

As atividades são gratuitas mais necessitam de uma pré inscrição, e as vagas são limitadas. A programação pode ser acompanhada pelo site do evento,  detalhada por dia.

                                                                     
SERVIÇO

O quê: Semana Literária & Feira do Livro Sesc – 31ª Edição
X Feira Universitária do livro Editora UFPR 
Quando: 10 à 15 de setembro
Onde: Praça Santo Andrade – Centro de Curitiba
Quanto: Gratuito