segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Um olhar especial na fotografia


Bruno e sua orgulhosa madrinha Heloisa

Além da necessidade técnica é bastante importante na fotografia o olhar do fotógrafo, que seria a sua percepção e a construção da cena. E é essa particularidade fotográfica que está sendo explorada e destacada em portadores de síndrome e de deficiência visual.

Esse é o caso da exposição "Encontros e Olhares" que possui fotos de adolescentes que concluíram o curso semestral de Curitiba coordenado pela fotógrafa Michelle Serena. A turma mista é composta por nove alunos, sendo que quatro deles possuem síndrome de Down e um deles apresenta síndrome de Williams.

Gabriel Fiori e sua fotografia na exposição 
Encontros e Olhares
Bruno Passos Schneider, 17 anos, manifestou um interesse muito grande pela fotografia. Perguntado sobre seu desejo de continuar fotografando, sua resposta foi afirmativa e entusiasmada. "Claro, quero ser famoso”. Sua madrinha e também fotógrafa Heloisa Passos, comenta as mudanças que a interação com a fotografia proporcionou ao cotidiano do menino. "O Bruno aumentou seu interesse pela imagem, ele passou a fotografar e observar os detalhes. Ele consegue olhar e entender meus trabalhos fotográficos. Sem contar que, por causa da síndrome de Wilians ele possui uma sensibilidade muito maior, que pode ser desenvolvida para a fotografia”.

Para Gabriel Ekermann Fiori, 14 anos, a interação com jovens especiais foi muito importante para romper o preconceito. “Só é preciso ter um pouco mais de paciência, e nós nos tornávamos exemplos para eles”.

Segundo Michelle, todos esses jovens têm a possibilidade de se tornar fotógrafos profissionais realizando trabalhos autorais, e assume que não foram apenas os alunos que aprenderam durante esses meses. “A fotografia proporciona a relação com o mundo externo. E não há palavras para descrever o quanto todos nós aprendemos nessa experiência”.

Mas esse não é um caso isolado – há inúmeras histórias sobre fotógrafos com peculiaridades. Como o fotógrafo esloveno Evgen Bavcar, que é cego desde os 12 anos. Ele comenta que fotografa o que imagina. Assume que há detalhes que escapam da sua percepção, mas que isso também pode ocorrer com os profissionais que enxergam. Suas imagens utilizam quase sempre o contraste entre luz e escuridão, o que serve para exemplificar a sua percepção da realidade.

Michelle Serena e seus alunos


Síndrome de Williams


É uma desordem genética que pode acometer ambos os sexos. Normalmente, são casos infantis, que ocorrem no primeiro ano de vida. As crianças com síndrome de Wiliams têm dificuldade de se alimentar, ficam irritadas facilmente e choram muito.


Essa deficiência é caracterizada por “face de gnomo ou fadinha”, possui como características principais: nariz pequeno e empinado, cabelos caracolados, lábios cheios e dentes pequenos. Os portadores podem ter problemas de coordenação e equilíbrio e apresentar um atraso psicomotor.
Porém, são sociáveis e comunicativos; em uma conversa, utilizam muitas expressões faciais, gestos e contato visual. Demostram facilidade para aprender rimas e canções, e possuem extrema sensibilidade musical e memória auditiva.



Bruno Passos ao lado de sua fotografia


Ficha Técnica
Serviço: Exposição Encontros e Olhares
Onde: Café do Top
Quando: 03/08/2012 a 01/09/2012 
Quanto: Entrada Franca
Segunda à Sábado 10h às 22h
Domingo 14h às 20h
Localização: Avenida Cândido de Abreu, 127 – Centro Cívico
Curitiba / PR | Telefone (41) 3074-1000