segunda-feira, 16 de julho de 2012

Dia de Clássico!


Hoje é dia de clássico, de Clarice Lispector e do seu último romance a Hora da Estrela, publicado em 1977. Que só pelas suas frases soltas já valeria a leitura! Como acontece nesse trecho quando é comentado sobre o próprio livro: "Juro que esse livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta".

A história tem como personagem principal a nordestina Macabéa que perdeu o pai e a mãe muito cedo, e mais tarde a tia, que era sua única parenta, sua única ligação com o mundo como a autora conta, aliás autora não, porque Clarice inventa um autor para seu livro, Rodrigo S.W., mas nem assim Lispector consegue estar ausente na narrativa, os traços típicos da escritora estão presentes e se confundem com a história principal.

Macabéa  fica perdida no Rio de Janeiro, não tem amigos e até então nem namorado, só sabe obedecer, nunca discuti, nem questiona. Está sempre sozinha com um aparelho de rádio emprestado, ouvindo a estação Rádio Relógio com anúncios, hora certa e cultura.

E no meio dessa solidão, a moça conhece Olímpico de Jesus, logo se tornam namorados. Mas não demora muito para Macabéa ser trocada pela sua colega de trabalho, Glória. Então o que era seu mundo, seu novo mundo, desaba e acaba.

Mas Glória com talvez peso na consciência a indica uma cartomante, Madama Carlota. E é ai que Macabéa finalmente conhece a felicidade. Descobre que vai conhecer um gringo com muito dinheiro, chamado Hans, que terá olhos azuis, ou verdes, ou castanhos ou pretos, que será amada e muito feliz, como nunca foi.

E é com esse pensamento de esperança que a nordestina sai entusiasmada em busca de seu amado e tragicamente é atropelada.

Uma história de desamparo e consequentemente morte, contada pela maravilhosa Clarice Lispector, pouco tempo antes de morrer, e só por esse detalhe já se torna leitura obrigatória, mas como sei que nem todos se sentiram entusiasmados para começar a leitura, trago um pedaço da trama em forma de vídeo, em uma adaptação feita pela Rede Globo com um final falso porém feliz, além de trechos de entrevista com a autora.