sábado, 19 de novembro de 2011

6ª Maratona Fotográfica de Curitiba

Começou nesta quarta (16) e vai até domingo (20) a 6ª Maratona Fotográfica de Curitiba, organizada pela Escola de Fotografia Portfólio. O evento homenageia o fotógrafo brasileiro, Walter Firmo, e contará com palestras, workshops, bate-papos, leituras de portfófio, exposições fotográficas, concurso fotográfico, e outras atividades.

Quinta  (17) aconteceu o bate-papo fotográfico, com o assunto, Retratos do Povo Brasileiro, com Walter Firmo, João Urban, Paula Sampaio e Tiago Santana. Firmo diz que trabalha com a emoção. “O que me comove é estar aqui, e olhar para a platéia, olhando nos olhos de cada um e dizendo eu quero ser seu amigo, e todos os convidados que estão aqui hoje, além de ótimos profissionais, são pessoas que fazem parte da minha vida, e eu gosto de estar perto deles”.



E/D Walter Firmo, João Urban, Paula Sampaio e Tiago Santana
Fotografia de Walter Firmo, Pixinguinha, 1968, Rio de Janeiro
Fotógrafa Paula Sampaio
Baião (PA) , 2003 . Uma das fotos da série Nós, da fotógrafa Paula Sampaio
Fotógrafo homenageado, Walter Firmo



                O fotógrafo comenta também sobre a fotografia que tirou do músico Pinxinguinha, no Rio de Janeiro, em 1968. “Todo mundo acha uma fotografia importante, mas eu não. Porque ela só se tornou importante pela figura fotografada, o Pixinguinha. A única coisa que eu fiz foi durante a entrevista, levar a cadeira da sala para o quintal, e bater 36 posses dele, então o mérito não é meu”, e complementa dizendo sobre suas pessoas preferidas para fotografar. “O que facilita a ação dos criadores da fotografia é trabalhar com estes empobrecidos, pessoas humildes, pois eles possuem poesia bruta, e pela imagem nós conseguimos transparecer isso”, conta Firmo, maravilhado pela arte de fotografar.


                A fotógrafa Paula Sampaio, estava muitíssimo satisfeita em poder participar desta homenagem. “É muito difícil conseguir sair de Belém, por causa do trabalho. Mas no ano passado quando o Nilo (Diretor da Escola de Fotografia Portfólio) me avisou deste evento, eu disse: pode contar comigo. Porque o Walter Firmo é muito importante pra mim e para todos de Belém. O meu primeiro livro de fotografia foi do Firmo, e foi minha fonte de inspiração. O seu trabalho de fotojornalismo, também me ajudo muitíssimo”. Ela conta que quando começou a trabalhar no jornal, existia muito preconceito com mulheres jornalistas. E por este motivo trabalhou com cultural. “Eles acreditavam que uma mulher nunca iria conseguir fazer algo além disso, e foi devido a parte cultural que eu consegui adquirir uma linguagem própria e única”.


                Paula desenvolveu uma série de fotografias, conhecidas como Nós. Ela conta que este projeto nasceu durante a realização de outros projetos, como a documentação da colonização nas estradas da Amazônia e nas comunidades de remanescentes de quilombos. “Esta série mostra as pessoas sem rosto, mas na verdade este é o rosto do povo brasileiro, onde o corpo e a natureza se misturam. E todos nós estamos em uma rota, a fotografia é só uma desculpa para olharmos ao nosso redor. E o engraçado é que ultimamente eu tenho tirado menos foto, porque as histórias são tão interessantes, que eu esqueço da foto”, diz a fotógrafa.



                Tiago Santana, acredita que devido a fotografia é possível conhecer novos lugares, pessoas e costumes. “Os encontros são mais ricos que as imagens, pois elas não conseguem chegar aos pés do ao vivo, não tem a mesma força. São apenas consequências do encontro. Pode até parecer contraditório, alguém que trabalha com fotografia dizer isso, mas é realmente o que acontece”, explica Tiago.