segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Em pauta: Literatura contemporânea de Curitiba!



Os escritores Cristovão Tezza, Cezar Tridapalli e Marcelo Sandmann se reúnem na Biblioteca Pública do Paraná para um bate-papo sobre literatura contemporânea de Curitiba. O evento gratuito acontece na próxima terça-feira (27), às 19h30, no auditório Paul Garfunkel e faz parte da programação da Semana Nacional do Livro e da Biblioteca.

Os autores debatem sobre o momento atual da poesia e da prosa feita na capital paranaense. Lembrando das publicações voltadas à literatura, que são destaques da cidade, e os eventos literários, e o quanto isso aquece o cenário da literatura. A conversa tem mediação de Omar Godoy.

Não esquece!
Bate-papo com Cezar Tridapalli, Cristovão Tezza e Marcelo Sandmann 
Biblioteca Pública do Paraná (R. Cândido Lopes, 133 / Curitiba — PR)
27 de outubro, terça-feira, 19h30
Gratuito


terça-feira, 13 de outubro de 2015

As vantagens de ser invisível - Stephen Chbosky



Se você, assim como eu, primeiro viu o filme "As Vantagens de Ser Invisível" para depois ler o romance que originou o longa, vai se surpreender com a nova forma de narrativa. Nas páginas literárias, a história é contata por intermédio de cartas de Charlie para uma amigo indefinido. Mas para você que ainda não conhece a história de Charlie, vou te conceituar.

Charlie é um adolescente com poucos amigos, que sente muita falta da sua tia Helen, que já faleceu. Mas o conceito muda, quando ele conhece Patrick e Sam, os meio-irmãos que apresentam toda a diversão da adolescência para o personagem principal, ao mesmo tempo que o drama de uma vida adulta tão próxima.

Sempre achei que o ensino médio é um dos momentos mais ricos de ser explorado em histórias. Essa é a época de descobertas, das primeiras vezes e o mais importante: é a linha tênue entre o ser jovem e o ser adulto. E acredito que em meio a toda a imaturidade, os jovens sabem que precisam aproveitar esse período, para que ele os nutre de boas lembranças e ajude na tal vida adulta.




Mas voltando ao livro. Sam faz o coração de Charlie bater mais rápido. Já Patrick vê em Charlie, um ombro amigo para se recuperar do fim de uma paixão, com um dos meninos mais populares da escola. Em meio a entorpecentes, muita música, transtornos psicológicos, diversos tipos e tentativas de relacionamento e a descoberta da liberdade, a história de três adolescentes é contata. Sem dúvida a maior surpresa seja uma espécie de segredo que envolve a tia Helen.

Leitura rápida, com 224. O livro tem um começo um pouco arrastando, mas logo você se envolve na trama. O romance de 2007 é o primeiro de Stephen Chbosky, aliás, fique a vontade para nos trazer mais romances, tá? Já a adaptação para o cinema aconteceu em 2012, estrelado por Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller.

Ah, se no final ainda quiser saber para quem eram as cartas de Charlie. Não importa. Vai ver que era para mim ou para você!






"Tem uma coisa que eu quero dizer sobre o túnel que leva ao centro da cidade. Ele é glorioso à noite. Simplesmente glorioso. Você começa de um lado da montanha, e é escuro, e o rádio só tem estática. Quando entra no túnel, o vento o suga para fora e você vê as luzes acima com os olhos. Quando se acostuma com as luzes, você pode ver o outro lado a distância à medida que o som do rádio vai desaparecendo, porque as ondas não conseguem alcançá-lo. Depois você está no meio do túnel e tudo se transforma em um sonho tranquilo. À medida que vê a saída se aproximando, sabe que não pode chegar lá rápido o bastante. E finalmente bem quando acha que nunca sairá de lá, vê a saída bem diante de você. E o rádio volta a ficar mais barulhento. E o vento está à espera. E você voa do túnel a ponte. E lá está. A cidade. Um milhão de luzes e prédios, e tudo parece tão empolgante como da primeira vez que você a viu. É uma chegada realmente fantástica."



sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Retratos Londrinos - Charles Dickens



Charles John Huffam Dickens nasceu em 7 de fevereiro de 1812 na cidade de Portsmouth, e logo na infância sentiu os efeitos da Revolução Industrial. Seu pai, chamado John, era um funcionário da marinha que vivia endividado. Em 1822 a família decide se mudar para Londres na esperança de melhorar de vida. Dois anos depois John Dickens vai para a cadeia por dividas. Elisabeth Dickens, sozinha a própria sorte com o filho resolve vender os pertences da família; o jovem Dickens, apaixonado por leitura desde cedo, viu seus livros serem vendidos para saldar as dividas. Em 1824 ele consegue emprego em uma fabrica de graxa como colador de rótulos. Em 1836, casa-se com Catherine Hogarth, filha do editor do Evening Chronicle. Naquele mesmo ano ele finalmente pública seu primeiro livro: “Retratos Londrinos”“Sketches by Boz” (O nome era devido ao costume de Dickens em assinar seus texto com o pseudônimo “Boz”). A obra teve sucesso imediato e abriu as portas para Dickens emergir como um dos maiores escritores da era vitoriana.

O livro é dividido em três partes: “Cinco retratos de nossa paróquia”, “Cenas” e “Personagens”. O estilo descritivo da narrativa, adornado pela ironia e sarcasmo característicos do autor, são os pontos fortes da obra. Em alguns momentos Dickens expõe a tendência humana de querer extrapolar os limites do “eu” na busca pelo ideal que fazem de si próprio. Essa atração pelo objeto fátuo invariavelmente remete ao ridículo.

Obviamente que nem todos os textos são interessantes, alguns poucos são chatos, mas a maioria faz a obra valer a pena. Um dos mais belos trechos está no conto “Divertimentos Londrinos”, publicado no Evening Chronicle em 17 de março de 1835. Nele o autor menciona o costume de um casal de idosos em admirar seu jardim durante as tardes; e o que se inicia como uma simples narrativa, aparentemente banal, termina adornada por um tom poético bem característico do autor:

“Num entardecer de verão, depois de o velho casal já estar exausto de tanto andar de um lado para o outro e do grande regador já ter sido enchido e esvaziado umas quatro vezes. Você pode observá-los sentados lado a lado, juntinhos e felizes, em sua pequena e aconchegante casa, aproveitando a paz do crepúsculo e admirando as sombras que se lançam sobre o jardim. Pouco a pouco, o lugar vai ficando cada vez mais envolto nas sombras. As pétalas multicoloridas das flores mais alegres vão, lentamente, escurecendo – uma boa representação dos anos que já se passaram silenciosamente diante de suas vistas e que, no caminho, acabaram eclipsando os matizes mais brilhantes de suas esperanças no futuro e de uma juventude que se esvaneceu.”

Dickens é um dos maiores especialistas em retratar a marginalidade da sociedade inglesa do século XIX. Obras como “Grandes Esperanças” e “Oliver Twist” o imortalizaram como um dos maiores escritores da era vitoriana. Ninguém menos que Fiodor Dostoievski era um grande admirador de seus textos. Durante toda a obra é possível perceber a intenção do autor em criar, não personagens, mas caricaturas urbanas da sociedade vitoriana. 

Impossível não perceber o tom de critica no trecho que abre a crônica “O primeiro de maio”: “Limpador, limpador, lim-pa-dor!”. Naquela época o governo havia proibido os limpadores de chaminés de percorrer as ruas anunciando seus serviços aos gritos. Dickens explorou a polissemia desta proibição ao destacar um trecho, publicado no The Library of Fiction em 31 de maio de 1836, seguido das palavras “propaganda ilegal”. É como se a imundice da sociedade vitoriana tivesse o consentimento do governo. Outro trecho onde é possível perceber a transição sutil entre critica e narrativa esta no conto “À noite nas ruas”, publicado no Bell’s Life in London em 17 de janeiro 1836:

“Se quisermos conhecer as ruas de Londres em seu momento mais glorioso, devemos observá-las em uma escura, sombria e triste noite de inverno (...). A multidão que passou de um lado para o outro durante todo o dia vai minguando rapidamente. E o barulho dos gritos e discursões que vem das tavernas é praticamente o único som a quebrar a quietude melancólica da noite.”

Dickens produz um quadro vivo da Londres vitoriana o que lhe permite, como observador, reafirmar as palavras de Edgar Alan Poe: “A multidão inabarcável onde ninguém se desvenda todo para o outro e onde ninguém é para o outro inteiramente impenetrável”.



Publicado originalmente no blog Café Musain.






Por 
Tiago Rodrigues

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Lançamento: livro infantil "A menina que colecionava pedra"



Na véspera do dia das crianças tem lançamento de livro infantil, "A Menina que Colecionava Pedras", da poetisa e estudante de Pedagogia, Catarina Rielli Vieira. O evento acontece no domingo (11), das 10h às 13h na Feira do Poeta, que fica no Largo da Ordem em frente ao bebedouro. 

No enredo, a protagonista decide subir em uma montanha de nome difícil: Anhangava (Quatro Barras/PR). Lá no alto era possível ver toda a cidade, que, de tão pequena, parecia ser de brinquedo. Quando o sol começou a se esconder no horizonte ela percebeu que estava em cima de uma pedra gigante. 

A autora trabalha com metodologia de educação popular e interage com a sociedade por meio de movimentos sociais. Ela também ministra diversificadas oficinas em escolas de periferia. As ilustrações da publicação são assinadas por Daniel Freire Silveira. E a obra foi realizada por meio do Programa de Apoio e Incentivo à Cultura da Fundação Cultural de Curitiba.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

#garimpandooNetflix - “In your Eyes” chega ao Netflix e comprova a força da produção independente



Meus olhinhos brilharam (literalmente) quando vi que “In Your Eyes” finalmente chegou ao catálogo do Netflix.  A produção independente, que traz a maravilhosa Zoe Kazan no papel principal, é um deleite para quem gosta de romances fora do padrão hollywoodiano.

Poderia ser apenas mais uma historinha de amor, mas o filme vai bem além. Um detalhezinho que faz toda a diferença é a grande sacada da trama: um amor vivido à distância. Aí você me pergunta: o que tem de diferente nisso? Eu te respondo: a distância é retratada pela telepatia entre os protagonistas.

Rebecca (Zoe Kazan) é uma jovem dona de casa que leva uma vidinha normal ao lado do marido, o médico Phillip (Mark Feuerstein). É novinha, submissa e vê nele um bote salva-vidas para não viver sozinha. Em paralelo, do outro lado dos EUA, o ex-condenado Dylan (Michael Stahl-David) começa a experimentar situações metafísicas ao, em determinadas situações, enxergar o que está acontecendo com outra pessoa: Rebecca. Um vê a vida pelos olhos do outro.

Ao descobrirem a incrível conexão que mantêm de forma involuntária, os dois começam a conversar e acabam estabelecendo uma relação de amizade via telepatia, que com o tempo vemos se transformar em amor.

O diretor Brin Hill utiliza de bom humor e diálogos reflexivos para desenrolar o enredo, fugindo dos clichês e envolvendo o espectador de tal forma que mal se pode esperar pela conclusão da história. Um trunfo conduzido com maestria e que, ao menos para mim, destaca a força que os filmes independentes podem ter ao saírem da caixinha. Vale a pena!







Por 
Camila Alessio